dois dias a trabalhar sem internet, com os documentos – todos e sempre de última hora mas que afinal quando não há nada a fazer não faz mal se chegarem dois dias depois – por mandar, com o blogue por actualizar, com os emails a acumularem-se exponencialmente, a sentir falta das rotinas de quem tem este meio sempre à mão. prova-me a mim mesmo ser um animal com hábitos, que mudam conforme as disponibilidades. quando vivia no enclave não tinha internet a não ser se chegasse a tempo ao escritório da Timor Telecom, entre as pausas para almoço, snack matinal, lanche e a hora de fecho gradualmente mais chegada à pausa anterior, antes ou depois das freiras ou das médicas cubanas que iam sempre aos pares para uma ditar à outra o email que já tinham escrito num caderninho antes de lá chegar, e isto tudo depois de seis meses absolutamente sem internet nenhuma em qualquer sítio do enclave. ainda antes disso lá para natarbora, onde nem cobertura telefónica havia – ainda não há – quanto mais internet, nunca me queixei. e depois vim para este sítio maravilhoso, díli, onde a falta de comunicação me dá verdadeiros sintomas de carência. bolas para isto.
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hoje faz anos uma moça que gosta de muito cobertores. é uma grande mulher, não sei é por onde anda.
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concordo que a rtp internacional nos dá essa tranquilidade, o forte sentimento de separação daquela pátria que eles mostram e que, por muito real que seja, se ausenta de todos os meus momentos de saudade. também eu agradeço à RTPi pelo grande serviço público que nos presta, até porque no pacote de parabólica que há por aqui à venda a RTPi fica no canal 4 e a TV5 fica no canal 5, e quando vejo um e outro chega-me a dar mais saudades da frança do que de portugal. franceses da merda, não percebem nada de como manter os emigrantes sem saudade! vejo no entanto que tantos os nuestros hermanos como os nostri fratelli nos seguem bem as passadas.
Filed under: EAST TIMOR, FIM DE SEMANA, TEMPESTADES, TIMOR LESTE | Tags: TIMOR LESTE
choveu torrencialmente em Dili. depois, como já é costume, o fim da tarde amaciou-nos a todos, tanto tanto que ainda hoje os cocktails de manga, maracujá, outros de papaia e limão, e no fim à falta de fruta melhor, os de coco, nos causam grande moleza. surprendemo-nos com as qualidades cocktalisticas da diáspora colombiana. no sábado que vem há mais.
a.pa.tis.mo |ˈapətismō| Falta de atenção, interesse e entusiasmo. ORIGEM adaptada no século XXI do Português apatia, via Latina do Grego apatheia, de apathēs ‘sem sentimento’ de a- ‘sem’ + pathos ‘sofrimento.’ SINÓNIMOS indiferença, falta de interesse, falta de entusiasmo, despreocupação, impassibilidade, sem emoção, letargia, languidez.
Notas iniciais para rúbrica de estrangeirismos timorenses.
Aprendi hoje que num discurso para um grupo grande de gente não se pode dizer o equivalente em tetun a “feijão encarnado”, mesmo enquanto se tenta explicar a proporção de feijões encarnados e pretos que cada pessoa irá receber. O “feijão encarnado” foi a mais (in)feliz expressão que poderia ter ditado pelo megafone. Fez corar todos os velhos os novos as mulheres e os homens ter o estrangeiro a ser tão mal criado em público, além de que mais ninguém me levou a sério até ao fim das discussões. Foi melhor assim, esqueceram-se com risos do que os tinha levado até ali.
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Saíu-me uma bela prenda esta viajante. Ela manda-me esta fotografia de Hong Kong e diz que foi a Stanley Street. Parece que é perto de Lang Quay Feng, onde ficam os bares todos. Também fez amigos novos (tomara, com 21 daiquiris não havia de fazer) e “we snuck into the most exclusive club in HK, only to find out that our dance moves were slightly outdated – like we learned them in post soviet Kazakhstan.” Pois.
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a cena dos outros que foram retidos lá para aqueles lados. é tudo a feijões!
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Diz a Ângela no seu português da América, mas que a falar assim parece mais da Rússia.




