“…cuando me llamó para decirme que hoy no trabajaríamos por los problemas sociales en La Paz, el aeropuerto está tomado, hay más de 150.000 campesinos cercando el congreso obligando a aprobar la ley del presidente Morales…”
ainda a ressacar das últimas semanas e só a pensar em férias… no auganto más!!!! vou para as reuniões para me perder em translations, estou cansado e não me apetece trabalhar, dói-me a cabeça, acordo com telefonemas a dizer que os senhores para a reunião estão já à minha espera no escritório. faltam sete dias, dois deles de fim de semana, para fugir daqui para férias. vou continuar a ler o meu livro entretanto, a ver se o tempo passa.
como a vida não está para grandes aventuras, vou continuar a ler o meu livrito. lamento, nada de especial para contar

“haiti summed up just about everything that Graham Greene required in a foreign destination (…) it was distressed, tropical, ramshackle, overcrowded, poor and on the brink of civil war. it was governed by a bogeyman. it was famous for its brothels and its slums and its weird expressions of religious faith – catholicism and a mishmash of african ritual. (…) its ornate hotels were in a state of decay, yet there was enough alcohol available (…) the tourists had given up on it – too frightened. the only expatriates in the place were shady businessman and foreign ambassadors, with the requisite number of bored wives. Add to this voodoo, political tyranny, rum punch and sunshine, and the result is an agreeable and colorful horror”.
para actualizar o livro de Greene a 2008 só se precisava juntar à prole de expatriados “the UN and its humanitarian and development workers”. e estes “comedians” podem não ser dos melhores de se ler, mas resumem bem relações interpessoais nascidas de uma atractiva frase “comedy is meaningless but is at least a relief from misery and sadness”. risos nas piores das alturas fundaram relações que mantenho até hoje: durante dramas – menos complexos – das aulas de geoquímica, durante crises em timor, durante faltas das coisas mais básicas em vários sítios recônditos, durante as cheias no haiti. e quanto maior a tragédia, mais aguçada se torna a vontade de rebentar em risos – vontade matreira, bem escondida logo por baixo da flor da pele. “you need a sense of humor to believe in God, he says, but humor is also useful in Haiti”. “trade has failed, agriculture has failed, even rebellion has failed”.
não sei se o livro se recomenda, ainda não consegui perceber bem. mas lê-lo está-me a dar bastante prazer. imagino que “The Comedians” traduzido para “Os Comediantes” não seja tão apelativo.

bom bom é que acham todos que sou fotógrafo e fazem poses para a câmara. e os polícias deixam-me entrar. e os jornalistas da televisão deixam-me ficar ao pé deles porque pensam que sou “colega”. já aconteceu várias vezes. um dia destes faço o meu próprio cartão, para poder ir para o meio da acção de uma maneira mais “profissionalizada”.
Me pregunto ahora: donde acabo yo y comienza mi perro? Donde acaba mi perro y comienzo yo? E assim lhe vou lendo os cadernos, escritos em português, traduzidos para espanhol, lidos em espanhol e traduzidos – será? – para português. Será que estou a ler e a traduzir ou que estou só a ler? Será possível que esteja em la paz a ler o saramago em espanhol? Será porque as capas da alfaguara são mais bonitas que as da caminho?
Filed under: La Paz
É que já não sei se câmbio se pode usar em português para uma mudança em geral, para outra que não seja de moedas. Se não, devia. Mistura-se bem com os pensamentos em português e é mais forte e intermédio-abrupta que e entre mudança e troca. E o câmbio é forte, vai acontecendo quer se queira ou não. Um câmbio na maneira de ver o país e as pessoas, um câmbio na temperatura, um câmbio na disposição, um câmbio no saldo do telefone, câmbios… Um câmbio na partida. Parece que agora é até mais para o final do ano. Visitas são bem vindas, a casa é grande, o verão está para chegar.

