muxx


borda d’água
August 31, 2009, 9:48 pm
Filed under: AGRONOMIA, HAITI, TEMPESTADES

o bom agricultor sabe do tempo, parece que vai chover, era bom era que viesse uma chuvinha. geadas é que não. amanhã vai estar tudo branquinho. que vento mais frio. no meio disto e do curso da agronomia, ele acreditava que um dia por milagre ia conseguir olhar para sei lá o quê e ver o tempo. podia até mesmo ser que as meninas da metereologia, simpáticas, doces, amigas, começassem a fazer sentido. o bom agricultor cultiva qualquer coisa. produz. dá laranjas aos amigos. pêssegos. vinho. cria umas vacas. uma galinha já se quer que seja. não é o caso, a sorte agrícola passou-lhe ao lado. como de costume, o que ainda o vai ligando à vida do campo são os vasos da hortelã dos mujitos e o do basílico das massas. mas vê sempre o tempo. todo o santo fucking dia. para ver se vem lá chuva e vento. se faz calor não importa, ninguém liga, é sempre verão. no tempo que ele vê, a menina da meteorologia já não aponta para o algarve com os dedos muito juntos e também já não diz que lá é que é bom. verdade seja bem dita, nem menina há. é uns mapas, às nuvens, com uns pontos a encarnado, laranja, amarelo. com letras e uns símbolos. L é para a depressão. TS é para a tempestade tropical – uma espécie de trovoada mas em maior. o símbolo da máquina de lavar é para o ciclone – um bocado mais ventoso. o novo boletim metereológico que ele anda a ver não é mau, eles até acertam mais ou menos. faz-lhe falta é a menina da meteorologia, arranjadinha, a andar por cima dos países todos e a dizer: esta zona nebulosa marcada a encarnado (aponta com as mãozinhas de fada para as caraíbas) a 450 milhas das caraíbas de baixo continua a apresentar sinais de organização, e associados a uma grande área de baixas pressões prevê-se a ocorrência de aguaceiros e trovoadas . as condições metereológicas continuam de algum modo favoráveis para que este sistema se torne numa depressão tropical durante os próximos dias, enquanto se vai deslocando para Oeste a cerca de 15 milhas por hora. há uma grande probabilidade, maior do que 50%, de que se forme um ciclone tropical na área durante as próximas 48 horas. os telespectadores com interesses nas antilhas de baixo devem continuar atentos ao progresso deste sistema frontal. por todo o resto do atlântico não se espera que haja formação de ciclones durante as próximas 48 horas. boa noite. até amanhã.


		
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o terror do domingo
January 22, 2009, 9:37 pm
Filed under: AGRONOMIA

e assim, poque acordava tarde e tinha sempre que gramar com isto, fui para agrónomo



Toma!
August 19, 2007, 11:44 pm
Filed under: AGRONOMIA, EAST TIMOR, TIMOR LESTE | Tags:

varanda

riu-me agora para os malvados galináceos que tantas tentativas hortas me destruíram, que voem o que voarem à varanda do mmux é que eles não chegam para escarafunchar na horta. olho com consolo para as deliciosas plantinhas a que nem a praga dos gafanhotos deste ano chegou. como, com prazer multi-redobrado, sandes de queijo e rúcola, sabendo que serão estas umas das únicas folhinhas que crescem no sudeste asiático entre as latitudes de bali e a de darwin. saboreio calmamente e durante extensos minutos, quase numa paranóia tântrica, o delicado sabor da rúcola que me relembra dos manjares italianos e que não tem paralelo nos vegetais asiáticos. o basílico, ou manjericão, dá-me quase a mesma qualidade de prazer, mas cresce melhor, dá mais folhas e existe em mais casas de díli, o que lhe rouba parte do encanto.

a experiência varandícola trouxe também uma oportunidade para os visitantes do mmux partilharem os seus agro-conhecimentos: um português diz que a hortelã quer muita água e que se se enterrarem alguns dos rebentos estes ganham raízes e tornam a planta mais vigorosa, o que é verdade; uma italiana que veio do sudão diz que o nome português piri-piri é igual à designação em arábico; uma australiana diz que um remédio preparado com alhos é bom para dar cabo dos aranhiços e demais insectos que atacam as plantas, o que ainda não sei se funciona.



agora sem galinhas
June 27, 2007, 10:08 am
Filed under: AGRONOMIA, EAST TIMOR, TIMOR LESTE | Tags:

basil

timor é sem dúvida um país rural, com a enorme maioria da população a depender de técnicas agrícolas rudimentares, da falta de sementes e variedades melhoradas, a depender da vontade dos bois, vacas, cabras, porcos mais ou menos selvagens, ovelhas, ratos e demais pragas de enorme dimensão quando comparadas com os nossos pulgões. depois as doenças todas – fungos, vírus, bactérias – sem tratamento, a imprecisão da chuva, os solos fracos sem árvores e sem adubos, a deterioração das encostas queimadas das montanhas e dos leitos das ribeiras que vão secando por falta de infiltração a montante.

todos estes problemas foram parte do meu trabalho para o desenvolvimento em timor, incluindo encontrar soluções e socializar os prejuízos causados por técnicas agrícolas de subsistência devastadoras. mas nenhum, no que diz respeito às minhas tentativas pessoais de sobrevivência com pelo menos algumas coisas muito boas que os supermercados todos em lisboa têm, nenhum dos problemas se compara a um: as malditas das galinhas.

foram elas que me comeram e esgravataram pelo menos três ou quatro tentativas de horta. primeiro era porque não tinha vedação, o que se mostrou logo um erro absurdo. depois porque fiz a vedação mas a mãe galinha sabia voar e saltava-me lá para dentro. depois nasceram o raio dos pintos que passavam pelos buracos da rede atrás da mãezinha. depois, para minha felicidade cresceram e ficaram grandes demais para passar. claro que, estúpido, pensei que tinha os problemas resolvidos e toca de semear tudo outra vez. depois, os pintões passaram a semi galinhas e começaram a voar. e pronto. comeram-me a terceira tentativa de horta. fiz uma outra tentativa, com rede mais fina – até já pensava apanhar as galinhas do vizinho e cortar-lhes as asas (ocorreu-me que não se escapavam dos outros animais todos que lhes atentam a vida cá na ilha) – veio uma chuvada, vieram as 7 ou 8 galinhas e foi tudo outra vez.

saí dezenas de vezes a correr de casa a enxotá-las. levantava-me de um salto da cama às seis da manhã porque as ouvia a piar de contentamento enquanto propagavam o caos na minha hortita. desisti.

mas, mudei-me para um apartamento no primeiro andar onde as galinhas não chegam. é com grande contentamento que vejo o basílico – parece que em português será mangericão – a salsa, os coentros, a rucola, e outros condimentos que não se compram por cá, a crescer rapidamente. olho-os com bons olhos, todos os dias como um verdadeiro agricultor que nunca conseguiu fazer nenhuma planta vingar. em todas as visitas à varanda tenho esperanças de que seja desta. volto para casa sempre com um bocado mais de contentamento e a sonhar com o bacalhau à braz cheio de salsa acabada de apanhar, a massa cheia de mangericão, as saladas de rucola, a açorda com coentros! as amêijoas!!!

vivo, desde que mudei para o apartamento, com muito mais esperanças agro-gastronómicas. e sem barulho de vacas, porcos e as outras ruidosas pragas que me atormentavam o sono e a horta. acho que sou, definitivamente, um gajo urbano.



parabéns ao casal garcia
June 6, 2007, 7:16 am
Filed under: AGRONOMIA, PORTUGAL, TAILÂNDIA

o casal garcia vai para bangkok

que acabou de dar o nó e anda de lua de mel por bangkok. espero que aproveitem para ir ao sirocco. um abraço ao sebastião que ainda por cima faz anos.



para juntar à tal checklist do emigra
May 8, 2007, 12:30 am
Filed under: AGRONOMIA, BON VOYAGE, Lisboa, PORTUGAL

ir às tantas da noite comer pastéis de nata e bolos de arroz ao cimo da rua luis de camões