muxx


mokambo, mokambo, moookaambo, mokambo
August 1, 2008, 12:12 am
Filed under: BOLIVIA, CAFÉ, Santa Cruz, VÍCIOS | Tags:

o mmux tem descoberto que nem tudo são rosas no sul do novo mundo. aos poucos e poucos foi-se apercebendo de que a um dos bens matinais essenciais, a bica, lhe era regularmente negado o acesso. ou melhor, que encontrar um cafézinho, nem que fosse a chávenas de litro como as dos gringos verdadeiros, era mais que difícil.

nas primeiras semanas andou-se pelos encantos do mate e quase não deu pela falta do ouro preto. a altitude e o frio seco davam-lhe tal broa que lhe era impossível racionalizar os níveis de cafeína. nas últimas semanas, porém, começou a desconfiar de que afinal a situação não era tão simples como parecia.

começou primeiro no escritório, devagar, sem pressas: quiere un matecito? não, olhe, hoje apetecia-me um cafézinho. no tenemos, perdon. uma, duas, dez vezes. estranho… ainda não compraram café…. passaram-se os dias e ainda no escritório foram aparecendo sinais de que a relação com o líquido negro era ainda mais complicada. chegavam os convidados para as reuniões, vinha a senhora e perguntava-lhes quiere tomar algo? un matecito? un té? un café? um cafézinho, respondia o convidado. ai perdon, no tenemos, perdon. estranho… ainda não comprou café e anda para aí a oferecê-lo aos convidados… pensou o mmux.

depois, nas viagens de muitas horas que davam para chegar de lisboa a Madrid e voltar, o mesmo. o altiplano todo, de uma ponta à outra, das cinco e tal da manhã até sei lá a que horas da tarde, sem encontrar nem um sítio para beber um café. estranho…

finalmente se fez luz. na terça o mmux foi para o aeroporto às 6:30 da manhã para viajar até à amazónia, chegou, enfiou-se dentro de um jeep durante quatro horas e café nada. estou safo, vou ter uma reunião com o alcaide no escritório dele e oferece-me café concerteza. puro engano. o mmux estava deserto para beber nem que fosse um mokambo. nada, em vez disso o senhor alcalde ofereceu tangerinas que eram muito boas. até à noite à espera de ver um tasco com café sempre sem sorte.

na quarta o mmux acordou num hotel de cinco estrelas. pequeno almoço farto, ovos com tomate, ovos sem tomate, frutas tropicais, bolos, bolachas, torradas, queijos, leite, chá, yogurtes, tem café? não, desculpe, café não temos, acabou. é normal? perguntou-se o mmux – isto não é normal poi’ não?

dia seguinte, eram já 8 da manhã e estava na hora de uma reunião com outro alcalde, também no escritório dele. como o senhor se deixou dormir, o mmux convenceu a comitiva a levá-lo até onde se pudesse beber um café. imaginou, na sua ingenuidade, que o levariam a um dos tascos ali do lado. até chegou a pensar que alguém lhe diria que não se preocupasse que lhe fariam um café numa qualquer das imensas salas do edifício de dois andares. não. levaram-no a atravessar a praça principal e não pararam, viraram por uma rua à esquerda, andaram meio kilómetro, entraram no mercado que era um edifício em construção, subiram as escadas de cimento inacabadas, atravessaram o primeiro piso do mercado – muito grande – e por fim chegaram a um conjunto de 5 ou 6 bancas que tinham café. tipo talhos de praça, mas com café e uns bolinhos. estranho… pensou o mmux. olhe, tem desses pacotinhos de nescafé para vender? tengo pues! então dê-me cá dez carteirinhas para levar… hombre prevenido vale por dos!