muxx


o que será
June 13, 2007, 6:47 am
Filed under: CULTURA, EAST TIMOR, OECUSSE, TIMOR LESTE | Tags:

traditional tatoo near citrana

foi o que me perguntei quando tirei a fotografia. passei a tarde a retratar familiares desta senhora, todos cheios de cores garridas, vestidos de tais, sentados num palanque debaixo da casa principal a mascar o betel e de repente, depois de admirar a espécie de totém que marcava o meio da aldeia viro-me para a esquerda e fica a cara dela em foco. olhei-lhe para o queixo e lembro-me de pensar “meu deus!!” deslumbrado com a intensa noção de que estava longe de tudo. nunca até aí as tatuagens faciais me apareceram como desenhos complexos. Aliás, a maioria das vezes pareciam-me pictogramas bastante simples. Tenho pena de aquele momento não se repetir e de nunca ter conseguido descobrir o que significavam as tatuagens. Esta senhora não falava nenhuma língua que eu conhecesse, morava numa mini aldeia no cimo de uma colina, a menos mini aldeia mais próxima era a de Oelnanoe no Oecusse e eu só lá estava para perguntar ao chefe – com a ajuda de um intérprete de Tétun – Baikeno/Meto – se notava melhoras na produção agrícola e na reflorestação graças ao trabalho conjunto com a nossa organização. perguntei a seguir, tentando não parecer demasiado curioso ou cair na tentação mal ela aparece, mas ninguém me soube explicar o que eram estes desenhos que abundam pelas caras enrugadas do interior o enclave. pelos vistos foi-se o entendimento do significado e ficou o simbolo, ou talvez não me tenham querido dizer. esta senhora faz parte do enorme grupo da população que deve entretanto saber muito muito pouco do que se passou em dili durante o ano passado. só para os lembrar



divas para os restaurantes chineses
May 17, 2007, 9:15 am
Filed under: BON VOYAGE, CHINA, CULTURA

divas para os restaurantes chineses

ia ser outra revolução cultural ter os restaurantes chineses a passar algumas músicas deste disco. o chop-suey, o pato agri-doce, os dumplings, o arroz xao xao, até os crepes, tudo brilhava como novidade sofisticada.

o disco diz ser a história de duas cidades, sete divas e uma produtora, onde as cidades representam a ásia internacional do início do século xx: shanghai — a hollywood do oriente da china pre-comunista (pre-1949); hong kong — a colónia britânica que tomou o lugar de capital da pop chinesa quando os poderes de pequim condenaram qualquer tipo de música mais ocidentalizada como decadentemente imperialista. shanghai tomou a dianteira com compositores chineses e orquestras russas influenciados pelo ocidente durante os anos 1920s-1940s. hong kong herdou tudo isto e fundiu-o com o rock-and-roll em 1950s-1960s. eu digo que vim a ouvir os remixes no avião e que são bons.



cheques-disco
May 10, 2007, 12:08 pm
Filed under: CULTURA, PORTUGAL, TIMOR LESTE | Tags:

Decidimos seguir a sugestão de um muito venerável amigo e comprar uma colecção de belissimos cheques-disco no valor de 5 euros para presentear aqueles que nos esperam no hemisfério sul.



demonstração de métodos de defesa pessoal
May 6, 2007, 1:00 am
Filed under: CULTURA, PORTUGAL

defesa pessoal tesourinhos deprimentes

descobri um mundo novo que me diverte bastante. deveríamos nós levar esta senhora a timor para participar nos briefings de segurança da un? o tempo de espera vale muitas lágrimas de riso. um verdadeiro tesouro



kassin + 2 – futurismo
May 5, 2007, 11:46 am
Filed under: CONCERTOS, CULTURA, Lisboa, PARTY, PORTUGAL

Falamo-vos hoje de um concerto de Kassin + 2 que ontem aconteceu num espaço conhecido por Santiago Alquimista. A música era agradável e acompanhou bem o exagerado consumo de vodkas tónicos. Parece que eles cantavam em brasileiro, mas isso não vos vamos poder assegurar porque a atenção, da nossa parte, estava voltada para os restantes membros da comitiva que nos levou até lá.
O serão agradável pedia um final especial, motivo que nos encaminhou para o galeto. Terminámos a incursão pelo cenário cultural alfacinha em condições baixas de sobriedade, seja no que diz respeito à física e ao equilíbrio seja no que diz respeito à coerência do discurso.
Hoje de manhã encontrámos os eurónios bastante preguiçosos, muito longe de produzir um trabalho fluido, mas ainda assim a relembrar-nos de partes de conversas e – meu deus – a perguntar onde é que foram parar tantos euros que ontem nos enchiam a carteira. Mais, os eurónios doíam-nos.



a imprensa
May 4, 2007, 9:52 am
Filed under: CULTURA, DEMOCRACIA, PORTUGAL

porque lá não há disto; porque a imprensa portuguesa está num estádio democrático, de independência e de evolução profissional incomparavelmente maior – pelo menos para quem se vê privado dela; também porque alguns dos que lá estão gostavam de poder ler estas liberdades ou sinais de democracia plena nos jornais; mas acima de tudo, porque a imprensa portuguesa é boa, atrevo-me a copiar na íntegra uma rúbrica do Inimigo Público de 4 de Maio. que me desculpe o senhor provedor.

Provedor dos Leitores | Norberto de Arriaga
“Escrevo ao provedor para me queixar de um redactor do Inimigo Público, de seu nome João Henrique, que escreve todas as semanas títulos gigantescos, que praticamente tornam desnecessária a existência de um texto que os suporte. Falo, por exemplo, de um título como “Abriu bomba de gasolina genérica que permite converter e repartir 10 euros de gasolina em pontos de cartões fastgalp, bp e repsol”. Como jornalista e membro do Sindicato dos Jornalistas, acho indigno que uma pessoa que escreve no inimigo público não domine as mais básicas regras do jornalismo”, escreve Paulo Gomes de Lisboa.
Solicitei esclarecimentos ao jornalista João Henrique quanto à acusação de verborreia verbal.
“Caguei”, explica João Henrique, paradoxalmente sucinto.
Eis as conclusões do provedor:
Pode – e deve – o jornalista João Henrique escrever títulos maiores do que um romance inteiro do Pedro Paixão! Qual é o problema?! Não seria imensamente aprasível que um livro da Lídia Jorge, com um título enorme, como “O vento soprando nas gruas”, se limitasse a ter apenas o título, sem nada lá dentro?! Qual é a melhor parte de um romance do José Saramago ou do António Lobo Antunes? Lá está: o título! Ambos os escritores, pelo que o Provedor consegue perceber, apostam tudo nos títulos dos romances, e depois marimbam-se para o romance propriamente dito! “Eu hei-de amar uma pedra!”, pensa António Lobo Antunes, “Que belo título! Agora basta encher 400 páginas com palha!”. É ou não é, Paulo Gomes de Lisboa?! Se o Saramago e o Lobo Antunes podem fazer isso, porque é que o coitado do João Henrique não há-de poder?!