muxx


a internet – natarbora – oecusse – dili – la paz
August 5, 2008, 11:24 pm
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pois em 5 de agosto de 2008, na cidade de la paz, bolívia, o mmux conseguiu finalmente ter internet no gelo que é o seu lar. tirando as passagens por portugal e as estadas nos hotéis mais finos, tal não acontecia desde… 2001?? nestes sete aninhos lá foi tendo net em alguns dos escritórios em que trabalhou e mais nada. em natarbora nem sequer electricidade havia. em oecusse já tinha a facilidade de usar um dos dois computadores da loja da Timor Telecom – quando funcionavam o que era raro – das 9:30 às 11:30 e das 15:00 às 16:00 de segunda a quinta, que sexta estava fechado da parte da tarde. isto se não houvessem crises em dili ou se não chovesse muito que senão a senhora não se ia molhar para abrir as portas. das 14 horas que a loja estava aberta por semana aí umas 10 eram usadas ou pelas médicas cubanas ou pelas freiras italianas. estas últimas, para poupar dólares que a net no oecusse era ao preço do caviar, escreviam as cartas em casa e depois iam-se sentar na net horas a fio (máximo duas, claro) com uma a ditar e outra a escrever. as restantes e esparsas quatro horas que restavam em cada semana eram diplomaticamente divididas entre o chinês da loja grande, a Jo da OXFAM, eu, os quatro professores, a Farajam, os três médicos, o Patrice e a Nadia, o Steve, o Monforte, e os filipinos que andavam a construir o hospital.



Oecusse festival – ferry on friday
July 24, 2007, 5:27 am
Filed under: EAST TIMOR, Oecuse, OECUSI, OECUSSE, OECUSSI, TIMOR LESTE | Tags:

Please be informed that the main weekend for the Oecussi Festival is August 11-12.

Anyone interested in coming to the festival from Dili on this weekend and willing to travel to Oecussi on the ferry “Nakaroma” on Friday evening or possibly Saturday morning, returning Sunday evening, please let mmux know ASAP.

Someone needs to have an indication of the number of people willing to use the ferry before the Oecussi Administration approaches the government to reschedule or charter the “Nakroma” for the festival.

All UN staff will need to follow normal UN security and movement of personnel clearance procedures before traveling (by any means) to Oecussi.  Accommodations in Oecussi are limited; however, many international staff renting houses in Oecussi are willing to host colleagues arriving from Dili, if advance arrangements are made.  

Oecussi is considered a low security risk environment and has a lot to offer tourists.  The festival will be a celebration of traditional culture and sport, mixed with modern music and dance



Oecusse update
July 23, 2007, 12:09 am
Filed under: EAST TIMOR, Oecuse, OECUSI, OECUSSE, OECUSSI

The Oecussians answered in block to a message I’ve sent last week, upon my arrival from the enclave. The Twagiramungo family is ok, between Paris and Italy, miss Revaug seems to enjoy her new life back in Melbourne. Harriet says hello and that everything is ok in Sydney. Friend Cross says that he’s green of envy. Madam Karam won the prize for the best reply with “Ooh, makes me homesick for good old Oecusse. I miss the view! Sitting on the back verandah looking at a suburban fence is somehow not the same as looking out to the beautiful sea (only interupted by the occasional masturbator).” he must have had a lot to do on the last few months, with so many election girls around. Very nice to know that it’s all good with you, everything ok in timor.



Oecusse Tang Tang Bintang preliminary trip
July 17, 2007, 11:54 pm
Filed under: EAST TIMOR, OECUSSE, TIMOR LESTE | Tags:

A excursão saiu do aeroporto de Dili às 8:30 no helicóptero para o Oecusse. Conforme o briefing do piloto russo, demorámos 45 minutos e não pudemos fumar. Voltei no mesmo voo em que parti há um ano e duas semanas atrás – na altura a pensar que seria uma partida definitiva e a levar comigo o que restou como “mais valiosos pertences” para ser evacuado do país – a ver as tão conhecidas montanhas pelo caminho e a pensar num passado não assim tão distante em tempo mas absolutamente diferente em forma, imaginar-me no que tive que ser como resultado da adaptação a um sítio tão especial, ver-me agora relaxado na dureza de ser e estar porque em díli não é precisa e em oecusse, para apenas passar um fim de semana, também não. Passei a viagem, a chegada e o primeiro dia inteiro num frenesim emocional – alegria de ver caras e sítios não só conhecidos mas muito especiais e expectativas de recepção, que não foram de todo goradas.

Aida em Oecusse

Aterrou o helicóptero e um dos passageiros, o senhor Capito, que por sua vez esperava para vir para dili e que eu nunca tinha conhecido na vida, ofereceu-me a sua casa para o fim de semana. Espirito do Oecusse, pensei. Incrivelmente era a mesma casa onde tinha já passado muitas tardes de sorna a conversar com o casal Twagiramungo e o seu rebento – acho eu que agora andam por italia. A senhora Aida da fotografia de cima ainda lá trabalha e tratou-me como se fosse um familiar reaparecido e que ela não pensava mais ver na vida. Os outros, amigos, colegas de trabalho, conhecidos, reagiram da mesma maneira e isso deixou-me ainda mais alvoroçado. Parecia que afinal a vida passada naquele sítio tinha criado raízes fortes e deixado marca. Para mim a experiência de vida no enclave humano sempre foi parte essencial do que sou, um ano depois, e serei.

por do sol em oecusse

familia do goris

Claro que o enclave, sendo tão humano, se mudou com a saída de alguns bons amigos. Relembrei-os a todos, falei deles, dos filhos, de onde estão e do que fazem. Percebi que cada um deles contribuiu com muito na vida de partilha que levávamos – isolamento partilhado, alegrias por haverem abacates à venda no mercado partilhadas, abacates partilhados, fortalecimento mútuo para resistir às intempéries da vida partilhado, praia partilhada, refeições partilhadas, paisagens partilhadas, ilhas lá longe partilhadas, visão da ilha da nona – mulher deitada – sempre lá à frente a acompanhar o pequeno almoço partilhada quando as nuvens queriam, baleias a passar partilhadas, compras em díli partilhadas.

ilha da mulher deitada

mercado de padiae

Sábado, depois das visitas todas feitas e do trabalho acabado, começou a Oecusse Tang Tang Bintang preliminary trip. A excursão praia de lifau para (re)ver onde chegaram os portugueses, deu tempo para no caminho fazer conversa com os oecussianos que são o melhor do enclave, e por passeios por Padiae em direcção à fronteira com a indonésia. Os excursionistas foram depois ver os vulcõezitos ali ao lado do posto de fronteira, com direito a atravessar “a salto” do lado timorense para o lado indonésio que é onde estão os vulcões maiorzitos e a espreitar para dentro dos vulcões à espera de ver não sei o quê de especial.

monte cutete

lifau

vulcaozito

O resto do tempo gastou-se em mergulhos, pores do sol, jantares e bintangues. À volta para díli pareceu-me ter estado muito tempo longe de timor de todos os dias. Fiquei com vontade de voltar e reconfortado por ser não só um gajo urbano – como dizia num post de há umas semanas atrás – mas um que tanto é urbano como vive em enclaves remotos de ilhas já de si remotas. Uma espécie de contentamento de prueva superada.

helicoptero para dili

Resta dizer que a próxima excursão deverá partir para o enclave por volta do dia 11 de Agosto para participar no festival.



escritóóório
July 11, 2007, 3:30 pm
Filed under: OECUSSE

pelos olhos. é meia noite e vinte e três e já acabei a minha parte do trabalho mas ainda não me posso ir embora mas tenho de esperar. agora é só esperar mais um bocado para alguém mandar o email final e pronto. entretanto vou vendo os belogues, incluindo o meu, com os olhitos já um bocado arremelgados de sono e cansaço. resta-me o consolo de sexta logo pela matina me estar a meter no helicóptero a caminho do oecusse. na pasta vão os calções de banho, os ténis, as tishartes, o protector solar, o polar para o heli, o mosquiteiro para o hotel, o queijo para a merenda e as prendas para os kulegas do enclave. prometo fotos actualidas do enclave que não visito há mais de um ano.



o que será
June 13, 2007, 6:47 am
Filed under: CULTURA, EAST TIMOR, OECUSSE, TIMOR LESTE | Tags:

traditional tatoo near citrana

foi o que me perguntei quando tirei a fotografia. passei a tarde a retratar familiares desta senhora, todos cheios de cores garridas, vestidos de tais, sentados num palanque debaixo da casa principal a mascar o betel e de repente, depois de admirar a espécie de totém que marcava o meio da aldeia viro-me para a esquerda e fica a cara dela em foco. olhei-lhe para o queixo e lembro-me de pensar “meu deus!!” deslumbrado com a intensa noção de que estava longe de tudo. nunca até aí as tatuagens faciais me apareceram como desenhos complexos. Aliás, a maioria das vezes pareciam-me pictogramas bastante simples. Tenho pena de aquele momento não se repetir e de nunca ter conseguido descobrir o que significavam as tatuagens. Esta senhora não falava nenhuma língua que eu conhecesse, morava numa mini aldeia no cimo de uma colina, a menos mini aldeia mais próxima era a de Oelnanoe no Oecusse e eu só lá estava para perguntar ao chefe – com a ajuda de um intérprete de Tétun – Baikeno/Meto – se notava melhoras na produção agrícola e na reflorestação graças ao trabalho conjunto com a nossa organização. perguntei a seguir, tentando não parecer demasiado curioso ou cair na tentação mal ela aparece, mas ninguém me soube explicar o que eram estes desenhos que abundam pelas caras enrugadas do interior o enclave. pelos vistos foi-se o entendimento do significado e ficou o simbolo, ou talvez não me tenham querido dizer. esta senhora faz parte do enorme grupo da população que deve entretanto saber muito muito pouco do que se passou em dili durante o ano passado. só para os lembrar



Oecusse Tang, Tang Biiiiiiiiiiintang!!!
June 7, 2007, 4:39 am
Filed under: EAST TIMOR, OECUSSE, TIMOR LESTE | Tags:

fiquei de angariar gente para ir. consegui uns poucos logo no primeiro dia e parece-me que a festa vai ser de arromba. vou juntar o texto do email que me mandaram com umas fotografias que atraiam mais gente ao belissimo enclave. vivi lá um ano, uma semana e dois dias – para quem não saiba – até início de Junho de 2006. é o meu enclave humano de estimação. fica aqui em baixo a descrição do evento.